"As ideias revolucionárias do naturalista inglês, que nasceu há 200 anos, são pilares da biologia e da genética e estão presentes em muitas áreas da ciência moderna. O mistério é por que tanta gente ainda reluta em aceitar que o homem é resultado da evolução."
(Gabriela Carelli, Veja, Edição de 11 de fevereiro de 2009)
O trabalho de Darwin é plenamente aceito na área da ciência, sendo considerado como ponto de partida para um grandioso conhecimento sobre os seres vivos. Segundo a revista Veja, Charles Darwin é um paradoxo moderno. Sua teoria dá sentido à biologia moderna, a medicina e a biotecnologia. Porém, muitas pessoas ainda relutam contra suas ideias.
Conforme a Veja, nos Estados Unidos, país que dispõe das melhores universidades do mundo e detém a metade dos cientistas com prêmio Nobel, apenas um em cada dois americanos crê que o homem seja produto de milhões de anos de evolução. O outro acredita que nós e tudo que nos cerca está aqui por dádiva divina.
Para tentar entender essa relutância contra o Darwinismo, voltemos um pouco no tempo. Quando Darwin propôs pela primeira vez suas teses de evolução por seleção natural, grande parte dos cientistas da época acreditava que a Terra existia a 6.000 anos e que todas as maravilhas da natureza existia por intervenção de sabedoria divina. E os fósseis de dinossauros? Bem, a hipótese aceita na época era que essas criaturas perderam o embarque da Arca de Noé e foram extintas pelo dilúvio bíblico.
Devido a essas crenças, a publicação de A Origem das Espécies causou grande impacto na Inglaterra daquela época. Alguns anos depois, em 1920, Freud escreveu sobre esse impacto, dizendo que "ao longo do tempo, a humanidade teve de suportar dois grandes golpes em sua autestima. O primeiro foi constatar que a Terra não é o centro do universo. O segundo ocorreu quando a biologia desmentiu a natureza especial do homem e o relegou à posição de mero descendente do mundo animal." Então, seguindo este raciocínio, a rejeição à teoria evolucionista seria uma compensação ao "rebaixamento" da espécie humana nas ideias de Copérnico e Darwin.
Já Stephen Jay Gould, biólogo americano e grande evolucionista do século XX dizia que "as teorias de Darwin são tão mal compreendias não porque sejam complexas, mas porque muita gente evita compreendê-las."
Vale a pena ler a matéria completa. Revista Veja, edição de 11 de fevereiro de 2009, páginas 72 a 91. Confira agora os cinco pilares do Darwinismo.
OS CINCO PILARES DO DARWINISMO
1 - A EVOLUÇÃO DOS SERES VIVOS: O mundo não foi criado por ninguem nem é imutável. Os organismos estão em um lento e constante processo de mutação;
2 - O ANCESTRAL COMUM: Cada grupo de organismo descende de um ancestral comum. Todos os grupos, incluindo animais, plantas e microrganismos, remetem a uma única origem da vida na Terra - a ameba original;
3 - A MULTIPLICAÇÃO DAS ESPÉCIES: As espécies tendem a se diferenciar, criando novas espécies. O isolamento grográfico de determinada população, por exemplo, resulta ao longo do tempo no surgimento da nova espécie;
4 - O GRADUALISMO: As populações se diferenciam gradualmente, de geração em geração, até que as espécies que seguiram por um "galho" da árvore da vida não mais pertençam à mesma espécie do "tronco" e de outros "galhos";
5 - A SELEÇÃO NATURAL: Os seres vivos sofrem mutações genéticas e podem passá-las a seus descendentes. Cada nova geração tem sua herança genética posta à prova pelas condições ambientais em que vive.
==> Texto baseado na matéria "A Darwin o que é de Darwin", publicada na edição de 11 /02/2009 da Revista Veja (págs. 72 a 91).