sábado, 28 de fevereiro de 2009

SÉRIE IMORTAIS - Cartola - músicas (parte III)

Acontece
Composição: Cartola

Esquece o nosso amor, vê se esquece.

Porque tudo no mundo acontece

E acontece que eu já não sei mais amar.

Vai chorar, vai sofrer, e você não merece,

Mas isso acontece.

Acontece que o meu coração ficou frio

E o nosso ninho de amor está vazio.

Se eu ainda pudesse fingir que te amo,

Ah, se eu pudesse

Mas não quero, não devo fazê-lo,

Isso não acontece.

Imagens:

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AVES SILVESTRES DO RS - parte X

BEIJA-FLORES
Família Trochilidae

Estes acrobatas aéreos habitam todo o Basil, especialmente na região Norte.
No Rio Grande do Sul são registradas 18 espécies e destas, apenas 10 são comuns por aqui.
Os beija-flores estão entre os mais rápidos voadores e são as únicas aves que podem tanto permanecer estacionárias no ar, como mover-se em qualquer direção, inclusive para trás. Alimentam-se quase que exclusivamente em vôo e são especialmente adaptados para sugar o néctar das flores. Também consomem pequenos insetos encontrados dentro das flores, mas podem obter o alimento protéico cançando insetos no ar ou roubando-os das teias de aranhas. Ao alimentarem-se nas flores, os beija-flores prestam um valioso serviço de polinização. Muitas vezes são vistos com o bico e a cabeça cobertos por pólen.
Apesar da maioria ser extremamente pequena e uma, de Cuba, ser a menor espécie do mundo, são muito combativos, tanto entre si, como com outras espécies.



Beija-flor-dourado (Hylocharis chrysura)
10 cm


Esta pequena ave, com bico cor de laranja de ponta preta, pesa apenas cinco gramas. O colorido e esverdeado, fortemente mesclado com pontinhos dourados, enquanto a cauda curta e de cor-de-cobre intensa. O beija-flor durado não tem a mancha refletiva na plumagem da garganta que muitos beija-flores têm, mas abaixo da base do bico há uma área de penas avermelhadas que facilita sua identificação. Como todos os beija-flores, põe apenas dois ovos.
Esta espécie de beija-flor é uma das mais comuns da família no RS, sendo especialmente abundante na região central, sul e oeste.



Beija-flor-de-papo-branco (Leucochloris albicollis)
11 cm

Nesta espécie maior também falta a mancha iridescente da garganta que é substituía por um branco limpo incomum, também presente na barriga. Isto, combinado com a plumagem geral verde, faz dele um dos membros mais facilmente identificável da família. É encontrado em muitas partes do Estado, principalmente no leste, onde é comum em altitudes maiores. É um dos poucos beija-flores que permanece durante o inverno nas regiões mais frias. Em Gramado, onde muitas pessoas mantêm bebedouros para beija-flores em seus jardins, usando uma mistura com uma parte de açúcar para quatro partes de água, o beija-flor-de-papo-branco seguidamente visita esses "restaurantes avícolas" em grande número. Como a maior parte de beija-flores, o canto deste é seco, áspero e monótono, consistindo de uma série de rapidamente repetidos e altos "tsi-tsi-tsi".


Imagens:
http://farm3.static.flickr.com/2210/2043591154_c3d9d1f854.jpg?v=0
http://w3.impa.br/~luis/fotos/0711_itatiaia/papo-branco-itatiaia-071124-P+T_14645a.jpg
Fonte: BELTON, W. Aves Silvestres do Rio Grande do Sul, 3 ed. Porto Alegre, Fundação Zoobotânica do Rio Grande do Sul, 1993. 172 p., 105 il.

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2009

Bicentenário de Charles Darwin

"As ideias revolucionárias do naturalista inglês, que nasceu há 200 anos, são pilares da biologia e da genética e estão presentes em muitas áreas da ciência moderna. O mistério é por que tanta gente ainda reluta em aceitar que o homem é resultado da evolução."
(Gabriela Carelli, Veja, Edição de 11 de fevereiro de 2009)

O trabalho de Darwin é plenamente aceito na área da ciência, sendo considerado como ponto de partida para um grandioso conhecimento sobre os seres vivos. Segundo a revista Veja, Charles Darwin é um paradoxo moderno. Sua teoria dá sentido à biologia moderna, a medicina e a biotecnologia. Porém, muitas pessoas ainda relutam contra suas ideias.

Conforme a Veja, nos Estados Unidos, país que dispõe das melhores universidades do mundo e detém a metade dos cientistas com prêmio Nobel, apenas um em cada dois americanos crê que o homem seja produto de milhões de anos de evolução. O outro acredita que nós e tudo que nos cerca está aqui por dádiva divina.

Para tentar entender essa relutância contra o Darwinismo, voltemos um pouco no tempo. Quando Darwin propôs pela primeira vez suas teses de evolução por seleção natural, grande parte dos cientistas da época acreditava que a Terra existia a 6.000 anos e que todas as maravilhas da natureza existia por intervenção de sabedoria divina. E os fósseis de dinossauros? Bem, a hipótese aceita na época era que essas criaturas perderam o embarque da Arca de Noé e foram extintas pelo dilúvio bíblico.

Devido a essas crenças, a publicação de A Origem das Espécies causou grande impacto na Inglaterra daquela época. Alguns anos depois, em 1920, Freud escreveu sobre esse impacto, dizendo que "ao longo do tempo, a humanidade teve de suportar dois grandes golpes em sua autestima. O primeiro foi constatar que a Terra não é o centro do universo. O segundo ocorreu quando a biologia desmentiu a natureza especial do homem e o relegou à posição de mero descendente do mundo animal." Então, seguindo este raciocínio, a rejeição à teoria evolucionista seria uma compensação ao "rebaixamento" da espécie humana nas ideias de Copérnico e Darwin.

Stephen Jay Gould, biólogo americano e grande evolucionista do século XX dizia que "as teorias de Darwin são tão mal compreendias não porque sejam complexas, mas porque muita gente evita compreendê-las."

Vale a pena ler a matéria completa. Revista Veja, edição de 11 de fevereiro de 2009, páginas 72 a 91. Confira agora os cinco pilares do Darwinismo.
OS CINCO PILARES DO DARWINISMO
1 - A EVOLUÇÃO DOS SERES VIVOS: O mundo não foi criado por ninguem nem é imutável. Os organismos estão em um lento e constante processo de mutação;
2 - O ANCESTRAL COMUM: Cada grupo de organismo descende de um ancestral comum. Todos os grupos, incluindo animais, plantas e microrganismos, remetem a uma única origem da vida na Terra - a ameba original;
3 - A MULTIPLICAÇÃO DAS ESPÉCIES: As espécies tendem a se diferenciar, criando novas espécies. O isolamento grográfico de determinada população, por exemplo, resulta ao longo do tempo no surgimento da nova espécie;
4 - O GRADUALISMO: As populações se diferenciam gradualmente, de geração em geração, até que as espécies que seguiram por um "galho" da árvore da vida não mais pertençam à mesma espécie do "tronco" e de outros "galhos";
5 - A SELEÇÃO NATURAL: Os seres vivos sofrem mutações genéticas e podem passá-las a seus descendentes. Cada nova geração tem sua herança genética posta à prova pelas condições ambientais em que vive.

==> Texto baseado na matéria "A Darwin o que é de Darwin", publicada na edição de 11 /02/2009 da Revista Veja (págs. 72 a 91).

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2009

DICA DE LEITURA

Já que nas últimas postagens falei um pouco a respeito da obra de Chico Buarque, vou aproveitar para dar uma dica de leitura deste cantor, compositor, escritor, poeta: o romance Budapeste. Comecei a ler Budapeste hoje à tarde e estou encantada com o jogo que Chico Buarque faz com as palavras. É daqueles livros que você começa a ler e tem vontade de devorá-lo.


Budapeste - Chico Buarque

Junte um autor renomado, uma edição primorosa e críticas favoráveis da mídia que você encontrará um campeão de vendas, desses que se instalam na memória coletiva e tornam-se referência para lembrarmos de uma época. É através de Budapeste que, daqui a uns dois ou três anos, estarei lembrando da minha vida no final de 2003.
Analisando-o como objeto, independente do conteúdo literário, Budapeste proporciona prazer até mesmo para um analfabeto. Com a sua capa/contracapa mostarda em papel áspero-deslizante ostentando em alto-relevo o nome do autor e seu personagem. As páginas amareladas cedendo lugar às palavras negras em alta-definição dispostas em linhas espaçadas entre margens generosas às anotações.
Como obra de arte, Budapeste me parece um romance instável, equilibrando-se entre reflexões metalinguísticas e um humor caricatural. Nesta oscilação discrepante, Chico Buarque revela sua genialidade não desperdiçando a oportunidade de compartilhar com o personagem José Costa (ghost-writer de profissão) o sofrimento de se amar as palavras. Este é o grande trunfo de Chico Buarque. Usando a metalinguagem, Budapeste transforma-se num jogo de auto-referência onde há um livro dentro do livro, um autor dentro do autor, similar às típicas bonequinhas russas matryoska.
O problema é que Chico Buarque parece ter sido dominado pela paixão obsessiva de José Costa às palavras. E como todo homem nessas condições, tornou-se vulnerável, ingênuo e impulsivo, permitindo meter-se em situações bizarras sem sentido. O humor caricatural aos poucos vai cansando, tornando-se banal, expondo situações non-sense a uma descrição ingênua e superficial, grotescamente estereotipada. São cenas facilmente identificadas que deveriam ser engraçadas, mas quando muito, geram um desconcertante sorriso amarelo semelhante ao incômodo quando somos submetidos a ouvir uma piada ruim e mal contada por alguém ridículo que chora de rir com a própria piada.
Budapeste, porém, se sobressai consolidando-se como um livro acima da média. Tudo graças ao seu final. E que final. Uma descida de montanha russa reveladora onde Chico Buarque consegue se desvencilhar, ou, de certa maneira, explicar o humor caricatural usado. Um final convidativo para uma nova leitura, porque esta será diferente, lida com outros olhos.

Thiago Corrêa - lido em Dez./Jan. de 2004 escrito em 06.02.2004

: : TRECHO : : “Cobri o texto com as mãos e fui removendo os dedos a cada milímetro, fui abrindo as palavras letra a letra como jogador de pôquer filando cartas, e eram precisamente as palavras que eu esperava. Então tentei as palavras mais inesperadas, neologismos, arcaísmos, um puta que o pariu sem mais nem menos, metáforas geniais que me ocorriam de improviso, e o que mais eu concebesse já se achava ali impresso sob minhas mãos. Era aflitivo, era como ter um interlocutor que não parasse de tirar palavras da minha boca, era uma agonia. Era ter um plagiário que me antecedesse, ter um espião dentro do crânio, um vazamento na imaginação.” (p. 24)

: : FICHA TÉCNICA : : Budapeste - Chico Buarque - Companhia das Letras, 1a. edição, 2003 - 174 páginas

Imagem:

DESENCONTRO

DESENCONTRO
Chico Buarque

A sua lembrança me dói tanto
Eu canto pra ver
Se espanto esse mal
Mas só sei dizer
Um verso banal
Fala em você
Canta você
É sempre igual
Sobrou desse nosso desencontro
Um conto de amor
Sem ponto final
Retrato sem cor
Jogado aos meus pés
E saudades fúteis
Saudades frágeis
Meros papéis
Não sei se você ainda é a mesma
Ou se cortou os cabelos
Rasgou o que é meu
Se ainda tem saudades
E sofre como eu
Ou tudo já passou
Já tem um novo amor
Já me esqueceu

Fonte: http://www.pensador.info/p/poesias_de_chico_buarque/1/